Tuesday, April 19, 2011

BANDEIRA, TIO MANUEL


19 DE ABRIL




"Entre a realidade e a imagem, no chão seco que as separa

Quatro pombas passeiam"





O CACTO


Aquele cacto lembrava os gestos desesperados da estatuária!
Laocoonte constrangido pelas serpentes.
Ugolino e os filhos esfaimados.
Evocava também o seco nordeste, carnaubais, catingas...
Era enorme, mesmo para esta terra de feracidades excepcionais.

Um dia um tufão furibundo abateu-o pela raiz.
O cacto tombou atravessado na rua,
Quebrou os beirais do casario fronteiro,
Impediu o trânsito de bondes, automóveis, carroças,
Arrebentou os cabos elétricos e durante vinte e quatro ho-
[ras privou a cidade de iluminação e energia:

- Era belo, áspero, intratável.

3 Comments:

Anonymous José Mattos said...

Boa tarde, Leninha. Seu querido Tio Bandeira é um dos meus Poetas do dia-a-dia. Essa foto que voce postou ai é capa do livro "Meus poemas preferidos", da Editora Ediouro, publicado em 2002, em que ele esta lendo atentamente o Correio da Manhã sentado em uma cadeira antiga, pernas cruzadas ao seu estilo.
Um grande abraço, Minha amiga
beijos saudosos

12:17 PM  
Blogger Tom do Junco said...

Que belo encontro: meu com seu ovo e seu tio e o grande vereador Zé do Mato, nascido e criado no pantanal e, portanto, só conhece cactus de fotografia.
Beijabraços e feliz Páscoa!

1:04 PM  
Anonymous José Mattos said...

Se liga cebeção jumenteiro! Sou filho do nordeste com muita honra, mãe e pai baianos. Agora, esse negócio de cactos rebelde né cumigo não.

Beijos

9:50 PM  

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