Sunday, January 15, 2006

PROFUNDAMENTE


Alfredo,


Quem iria imaginar que íamos nos encontrar de novo no Enchanted!

Depois de tanto tempo, em que a simples menção do teu nome era suficiente para fazer desabar os céus e emergir serpentes carnívoras do seio da terra, estive afastada dos nosso lugares. Não queria te ver com outras, não queria aprofundar o corte, derramar cal nas feridas.

Sabia que este dia fatalmente iria acontecer. Nem o Encantado é tão pequeno que eu não possa fugir deste encontro, nem tão grande que nos garanta esconderijo infinitamente.

Eu escolhi, eu desejei, eu acreditei que teria forças para resistir. Tua voz estava tão longínqua para mim quanto as palavras eram mentirosas. Teu corpo tão distante quanto o amor era falso.

Quem podia imaginar que iam tocar aquele tango!....
E que, com a incapacidade de perceber a sutileza, com a coragem dos insensatos, com a cara de pau dos bêbados, irias me tirar para dançar.

E que o nosso corpo iria responder de ouvido, que íamos ficar ali, parados, assistindo cada fibra, cada poro, cada gota de suor reagir quimicamente até causar a explosão de sempre, a reação do nosso impossível reagir.

Saímos dali, perdidos, para o motel Beira-Mar e tudo que houve esteve sempre escrito na inumerável eternidade.

E no entanto tu ainda és o mesmo e eu sei disto.

Teu trabalho é a jogatina, a sorte nos ases e as damas de paus e de pedras que arranjas nesta vida de vadiagem.

Vão continuar o Ali Babá e suas mentiras, escondendo as clamorosas infidelidades que eu sempre perdoei, sempre desejei não ver, para poder te encontrar, meu moreno, nas noites do nosso amor, nas esquinas escuras da minha alma encharcada de pecado.

Por um prato de lentilhas , vendi meu sossego, mas inúmeras vezes valeu a pena, ah valeu a pena!...

Nossa história é assim, de vácuos e estrelas, de buracos negros e super-novas. O importante é que nos encontramos por alguns meses, ou anos. Ou mesmo por alguns minutos.

O importante é que apesar de tudo que nos separa, do ódio que nos desuniu, das mágoas que me perfuraram o estômago, das cheias que sublevaram de tristeza meu coração vagabundo, dos maremotos e tempestades de areia, apesar de tudo que é hoje uma Índia distante, estivemos juntos.

Em alguns instantes mágicos e incorruptíveis, estivemos assim. Juntos.


Profundamente.

2 Comments:

Blogger Saramar said...

Ai, hoje não era dia de ler essas palavras. Logo hoje, que estou um buraco negro, de tanta solidão.

9:08 PM  
Anonymous tania said...

Cruzes,Mhel, que amor mais doido,doído,enorme,transbordante,e todos os outros adjetivos que signfiquem ENLOUQUECEDOR!
Eu,assim como a Saramar em seu comentário, te digo,AI, HOJE NÃO ERA DIA DE EU LER ESSAS PALAVRAS!!!
Calaram lá no fundo.
beijos e tá lindo,viu?

10:08 AM  

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