Friday, July 29, 2005

FIAT LUX




Nos pântanos da Sombra caminhei dez mil anos, me cortando em penhascos escuros e pontiagudos, carreguei cascalho cinzento por incontável tempo, rolei pedras em montanhas de granito, caminhei por negras estradas empoeiradas e indistintas, sob um céu sem estrelas e sem cor. Viajei por rios de chumbo, choveu sobre mim água da cor dos corvos que povoavam meus sonhos enevoados.

Rabisquei em preto sobre preto nos papeis que não via, continuei por escarpas antigas, movi detritos ácidos e nuvens plúmbeas me perseguiram numa paisagem cega. Vulcões cinzentos de lava negra me cobriram, sombras de seres que não distinguia me acompanharam, raios sem luz percebidos apenas pelo som, espreitavam para me abater sobre solos de petróleo ardente, cinza negra solidificada, mares cor de ágata, árvores feitas de carvão, de tudo que já fora um dia.

Percorri pesadelos de escuridão. Enfiei meus pés nas poças lamacentas, escorreguei em pretos e cinzentos pisos sem ver. Meus olhos estavam abertos para o negrume. Minha carne estava percorrida de sombras, meu corpo vazado de impossibilidades.

Então você surgiu e a Luz se fez.

Flores rasgaram os brejos, penhascos se cobriram de grama, caminhos se enfeitaram de árvores e galhos, e plantas. E pássaros cantaram e choveu prateado e o sol se derramou na Terra em fogo. E os astros moveram o céu, as estrelas pesaram de alegria, o meu corpo se abriu de possibilidades.

E foi de novo Gênesis em mim e em toda parte

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Muito linda a foto e o texto ótimo!!!
Bjs
Amauri

8:05 PM  
Anonymous Emília said...

Sempre tem um pote de ouro!
Às vezes dois, três ou até nenhum, mas vale a pena acreditar.

Beijocas

Emília

9:02 PM  
Anonymous Anonymous said...

vosmicê agora é crente?

12:32 AM  

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